A formação de um novo ciclone extratropical na costa da Região Sul do Brasil, a partir desta terça-feira (3), coloca o Paraná e outros sete estados em alerta para a ocorrência de temporais, segundo previsão do Meteored.
A previsão indica chuvas intensas, rajadas de vento e possibilidade de granizo, em um cenário que exige atenção após os estragos provocados pela tempestade que atingiu Maringá e outras cidades paranaenses nos últimos dias.
A tempestade que passou por Maringá foi associada pelo Simepar à possível formação de uma supercélula, tipo de tempestade que pode produzir ventos destrutivos, chuva intensa e até tornados. O episódio deixou um rastro de danos em municípios do Paraná, com casas destelhadas, estruturas atingidas e milhares de pessoas afetadas.
Agora, um novo sistema meteorológico aumenta o risco de instabilidade no Estado. Além do Paraná, estão na área de alerta Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais.
O ciclone deve atuar em conjunto com a chegada de uma frente fria e o avanço de um cavado atmosférico. A combinação de temperaturas elevadas, umidade e o encontro de diferentes massas de ar favorece a formação de nuvens carregadas e tempestades potencialmente severas.
No Paraná e em Santa Catarina, as chuvas mais fortes devem ganhar intensidade principalmente a partir da tarde desta terça-feira. A instabilidade pode persistir durante a madrugada e a manhã de quarta-feira (4).
Ao longo da tarde de quarta, as áreas de instabilidade devem avançar do Rio Grande do Sul em direção ao sul do Paraná. A previsão também aponta possibilidade de descargas elétricas, ventos fortes e precipitações volumosas.
As condições podem provocar alagamentos em áreas urbanas, transbordamento de rios e queda de árvores. Por isso, a população deve acompanhar os avisos dos órgãos oficiais de meteorologia e da Defesa Civil e evitar permanecer perto de árvores, postes e estruturas que possam ser atingidas pelo vento.
21 cidades do Paraná foram atingidas por tempestades no feriado
Novembro chegou com ventania e chuvarada no Paraná, num episódio que deixou um rastro de destruição. Casas foram destelhadas, árvores caíram, imóveis sofreram danos, diversos locais ficaram sem energia elétrica e mais de mil pessoas foram diretamente afetadas, com os casos mais graves ocorrendo em Marquinho, na região Centro-Sul, e em Maringá, na Noroeste.
Segundo o boletim da Defesa Civil divulgado no final da tarde de ontem, entre o domingo e a segunda-feira (dias 1º e 2 de novembro) registrou-se 21 ocorrências em 21 municípios diferentes do Paraná. 4.067 pessoas foram afetadas, sendo que 28 acabaram desalojadas. 456 casas foram danificadas e uma acabou destruídas.
Entre os episódios registrados estão vendavais, chuva de granizo, enxurradas e alagamentos. Em Maringá, caiu quase 50 milímetros de chuva só durante a madrugada e começo da manhã de ontem (meia-noite e 7 horas), situação que levou a Prefeitura a decretar situação de calamidade pública. As rajadas de vento, por sua vez, chegaram perto dos 97 km/h.
Inicialmente, o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) classificou o fenômeno como um vendaval severo acompanhado de chuva intensa. Um prédo administrativo da corporação, inclusive, chegou a ser destelhado e uma árvore caiu no interior do quartei, causando danos estruturais significativos. Felizmente, ninguém ficou ferido.
O que é uma supercélula
Mais tarde, contudo, o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) informou que a tempestade em Maringá pode ter sido provocada por uma supercélula. Trata-se de um tipo de tempestade extremamente organizado e severo, que se diferencia das tempestades comuns por causa da presença de ar ascendente que gira continuamente em seu interior.
“As supercélulas são o tipo menos comum, mas têm uma alta propensão a produzir tempo severo, incluindo ventos fortes, granizo muito grande e, às vezes, tornados de intensidade fraca a violenta. O que torna uma supercélula única em relação a todos os outros tipos de tempestade é que ela contém uma corrente ascendente rotativa profunda e persistente chamada mesociclone. Se o ambiente for favorável, as tempestades supercelulares podem durar várias horas”, explica o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos em seu site.
Em Marquinho, quase um quarto da população foi afetada pelas chuvas
Já em Marquinho, um temporal de granizo destelhou casas, escolas, postos de saúde e estabelecimentos comerciais e deixou quintais cobertos de gelo. A cidade tem 4,4 mil habitantes, e 1.080 pessoas foram afetadas pela chuva – ou seja, praticamente um em cada quatro moradores.
Conforme o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, a cidade foi atingida por uma chuva de granizo acompanhada de fortes vendavais. As pedras de gelo e a ventania danificaram 270 casas, e a Prefeitura estima que até 70% da cidade possa ter registrado estragos decorrentes da tempestade. Além do perímetro urbano, as comunidades mais atingidas são Pedra Branca, Terra Boa, Gleba Nove e Guampará.
A Copel, por sua vez, informou que mais de 170 mil unidades chegaram a ficar sem energia elétrica. As quedas no serviço foram provocadas por danos causados à rede elétrica pela chuva acompanhada de ventos intensos e queda de granizo em diversas localidades, o que provocou a queda de postes de energia em alguns lugares.
Mais dias de chuva e possibilidade de trégua no fim de semana
Mais dias chuvosos aguardam Curitiba e o Litoral do Paraná neste começo de novembro. É o que aponta a previsão do Simepar, que prevê chuva em pelo menos seis dos sete primeiros dias do 11º mês do ano na Capital e nos municípios litorâneos. A intensidade das precipitações deve ser um pouco mais fraca nesta terça-feira (3 de novembro), mas em seguida volta a ganhar força.
No domingo já choveu forte ao longo de boa parte do dia na Capital. Ontem, a chuva veio durante a madrugada. Já para hoje, a previsão é que chova um pouco menos, mas há possibilidade de precipitações para a parte da tarde, principalmente entre 14 e 17 horas. Na quarta e na quinta, contudo, a instabilidade já deve voltar a ganhar força em Curitiba.
Por enquanto, a única trégua prevista é para a sexta, quando a cidade deve registrar só céu nublado. O Sol, por sua vez, só deve voltar a aparecer na próxima semana, no domingo e na segunda-feira.
Pro Litoral do Paraná, a previsão é mais otimista. Embora na quinta possa chover mais forte (9,2 mm), a partir de sexta o tempo seca e o Sol deve voltar a dar as caras nas praias a partir de sábado, com possibilidade de um bom final de semana para quem quer fazer um passeio ao ar livre.
BP









