Com 104% das UTIs para Covid-19 ocupadas, a cidade também sofre com quantidade de vítimas por traumas.
A bandeira vermelha em Curitiba não tem apenas a função de diminuir os casos de Coronavírus, mas também de aliviar a pressão sobre os hospitais da cidade. Ao diminuir a circulação de pessoas, a ideia é fazer com que situações como acidentes de trânsito e quedas de telhados não aconteçam, no entanto, essa não é a situação.
De acordo com desabafo feito nas redes sociais por Michele Grippa, que atende a pacientes do Siate na capital paranaense, é preciso estar ciente de que o foco nos atendimentos está nos pacientes que sofrem com complicações pela Covid-19. No entanto, isso tem afetado os atendimentos de traumas e problemas clínicos na cidade. “Vamos ter responsabilidade”, pede a médica.
“Estamos com ambulâncias paradas por horas nas portas dos hospitais para conseguir entregar as vítimas”, diz a médica.
Nesta sexta-feira (4), a taxa de ocupação dos 542 leitos de UTI SUS exclusivos para Covid-19 está em 104%. A taxa de ocupação dos 746 leitos de enfermarias SUS covid-19 está em 90%. Com isso, há 67 leitos vagos.
De acordo com a médica, o maior foco dos atendimentos está na Covid-19, contudo, as demais situações que envolvem traumas não deixaram de acontecer.
“As pessoas estão dirigindo, estão viajando, sofrendo acidentes. Estamos pegando uma estrutura que já vem cheia e com o aumento da demanda de Covid está superlotada”, afirma.
Ao postar o vídeo nas redes sociais, Michele não disse que queria apontar um culpado para a situação, mas sim conscientizar que todos precisam fazer a sua parte.
“Não adianta a gente, como população, tocar a vida normal e não fazer a nossa parte, deixando a responsabilidade para o governo. Precisamos contribuir para que os governantes possam agir. É um conjunto de ações e é isso que a população precisa entender”, diz.
Segundo a médica, com a grande demanda de atendimentos hospitalares, é preciso tomar cuidados para evitar situações como traumas. “A mesma atenção que estamos tendo com a Covid19, temos que ter para o trauma: use cinto, dirija devagar, proteja as crianças. Se a pessoa sofrer um acidente hoje, não sabemos em quanto tempo ela vai receber atendimento no hospital. Então, não é momento de se expor, se não houver extrema necessidade”.
FONTE: Banda B










