Mandaguari: população reclama de cidade às escuras enquanto demonstrativo aponta mais de R$ 138 milhões em caixa

Por Luciene Gallo.

 Moradores relatam que, desde o dia 15 de dezembro de 2025, a entrada da cidade permanece às escuras, com ausência de iluminação pública adequada.

Segundo relatos recebidos pelo Portal, lâmpadas de 70 watts não teriam sido substituídas, deixando trechos importantes da cidade sem iluminação. Além disso, há queixas sobre falta de itens básicos em áreas sensíveis, como fornecimento de leite especial (como o Pregomin, destinado a crianças com restrições alimentares), o que acende um alerta social ainda maior.

As críticas se ampliam para questionamentos sobre planejamento administrativo e condução de contratos públicos. Moradores mencionam que empresas contratadas por meio de licitação estariam em disputa judicial entre si, situação que, se confirmada, pode comprometer a continuidade dos serviços.

O que dizem os números

Documentos publicados no Diário Oficial dos Municípios do Paraná indicam que, até 31 de dezembro de 2025, o município apresentava disponibilidade de caixa bruta no valor de R$ 138.981.888,11.

Trata-se de um montante expressivo, que levanta questionamentos naturais da população: como um município com esse volume financeiro enfrenta problemas básicos de iluminação pública e abastecimento de insumos essenciais?

É importante destacar que disponibilidade de caixa não significa, necessariamente, recursos livres para qualquer finalidade. Parte desses valores pode estar vinculada a fundos específicos, convênios, receitas carimbadas ou obrigações financeiras. No entanto, a transparência e a boa gestão exigem planejamento estratégico capaz de priorizar demandas urgentes da população.

Responsabilidade administrativa

O município é administrado pela prefeita Enfermeira Ivonéia Furtado (PSD). A gestão municipal tem a responsabilidade direta pela execução de políticas públicas locais, manutenção da infraestrutura urbana e fiscalização dos contratos firmados com empresas prestadoras de serviço.

Iluminação pública não é apenas questão estética. É segurança pública, mobilidade, prevenção de acidentes e dignidade urbana. A ausência prolongada de iluminação na entrada da cidade expõe motoristas e pedestres a riscos e transmite uma imagem de abandono.

Quando há conflitos entre empresas licitadas, cabe ao poder público agir com firmeza jurídica e administrativa para garantir a continuidade dos serviços. A população não pode ser penalizada por disputas contratuais.

Projetos, competência técnica e captação de recursos

Outro ponto fundamental é a dependência de projetos técnicos bem estruturados para captação de recursos estaduais e federais.

Verbas e auxílios dos governos Federal e Estadual não chegam de forma automática. Eles dependem de:

  • Elaboração de bons projetos técnicos

  • Equipe qualificada na área de engenharia, planejamento e captação de recursos

  • Regularidade fiscal e administrativa

  • Capacidade de execução comprovada

Municípios que mantêm equipes competentes conseguem acessar emendas parlamentares, convênios e programas estruturantes. Municípios que falham no planejamento acabam perdendo oportunidades.

Vale lembrar que, constitucionalmente, os municípios recebem repasses obrigatórios da União por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além de transferências vinculadas à saúde (SUS) e educação (Fundeb). Contudo, investimentos adicionais e estruturantes exigem iniciativa técnica local.

Ou seja: ter recursos disponíveis é importante, mas saber aplicá-los com eficiência é essencial.

Planejamento ou improviso?

A principal cobrança da população hoje é por planejamento.

Uma cidade não pode funcionar no improviso. Iluminação pública precisa de manutenção preventiva. Contratos precisam de fiscalização constante. Licitações precisam ser sólidas juridicamente para evitar paralisações.

Se há empresas litigando entre si, o poder público deve apresentar esclarecimentos transparentes. Se há falta de insumos essenciais, deve haver explicação técnica e cronograma de regularização.

Chamado à responsabilidade

O Portal de Notícias entende que é papel da imprensa responsável chamar a atenção dos administradores públicos quando serviços essenciais deixam de funcionar adequadamente.

Mandaguari precisa de respostas.

Precisa de planejamento estratégico.
Precisa de gestão técnica eficiente.
Precisa de fiscalização rigorosa de contratos.
Precisa de prioridade para o básico.

Não se trata de ataque político, mas de responsabilidade administrativa. A população paga impostos e espera serviços públicos funcionando.

A gestão municipal tem a oportunidade de esclarecer os fatos, apresentar dados técnicos, explicar a situação financeira detalhada e demonstrar quais medidas estão sendo tomadas para resolver a falta de iluminação e demais problemas relatados.

Transparência não enfraquece governo. Fortalece.

Mandaguari tem potencial, arrecadação significativa e acesso a repasses constitucionais e convênios. O que a população exige agora é eficiência.

O Portal permanece aberto ao posicionamento oficial da Prefeitura Municipal de Mandaguari para garantir o contraditório e a informação completa à sociedade.

Edição: Alexs Young Rosa