Iaura Creusa Rossi atende há 14 anos no mesmo balcão do Super Muffato Hauer e vê o trabalho como uma jornada de aprendizado constante
Com quase seis décadas no mercado de trabalho, a disposição de Iaura Creusa Rossi, 73 anos, segue a de sempre: sorrisos, escuta e acolhimento. Há 14 anos no balcão de atendimento do Super Muffato Hauer, em Curitiba, ela trabalha para pagar as contas e a postura diária motiva os colegas.
“Ela sabe o nome de todos os clientes. Os clientes adoram ser atendidos por ela. Quando você acolhe uma pessoa assim, ela motiva os outros”, destaca Márcio Guilherme Scheffler, gerente da unidade.
Iaura começou a trabalhar aos 15 anos. Antes de chegar ao supermercado, ela passou 25 anos na mesma empresa, onde atuou em diferentes setores até se aposentar.
Antes do setor supermercadista, ela trabalhou com RH por sete anos e foi palestrante. Após deixar a empresa por onde trabalhou por mais de duas décadas, Iaura se aposentou e ficou um período em casa.
A ida para o Muffato aconteceu quando decidiu vender a residência onde morava sozinha e comprar um apartamento menor, em busca de mais segurança.
Para concluir o pagamento, voltou ao mercado de trabalho — com a ideia de permanecer apenas um ano. Agora, ela começa o 14º ano. “Eu entrei para ficar pouco tempo”, lembra.
A rotina, no entanto, criou outro rumo. “Eu fui criando confiança, carinho pela loja e, principalmente, pelos clientes”, conta. Os laços que antes seriam provisórios se tornaram duradouros.
Espaço de aprendizado
Com o tempo, Iaura acredita que o trabalho deixou de ser apenas uma necessidade financeira, mas se tornou um espaço de aprendizado constante e contato humano. “O trabalho, pra mim, é um passeio, uma jornada. A gente aprende todos os dias”, afirma.
Para ela, manter-se ativa é uma forma de acompanhar o ritmo do mundo e não se afastar das mudanças do cotidiano. Atualmente, a rotina inclui exercícios físicos, caminhadas e cuidados com a saúde, além do expediente no supermercado.
Trabalho com os mais jovens
Nos últimos 14 anos, Iaura acompanhou transformações na loja, no bairro e no perfil dos clientes. Muitos passaram a procurá-la diretamente no balcão, o que sinaliza que o atendimento se transformou em relação de confiança.
A familiaridade também se reflete na troca com colegas mais jovens. Iaura compartilha experiências de vida e escuta quem começou há pouco no mercado de trabalho.
Em contrapartida, ela aprende com os jovens sobre novas práticas e também tecnologias.
“A gente acaba passando alguma coisa pra eles, porque a vida ensina muito. Mas também aprende bastante com os mais novos”, diz
O atendimento que faz o cliente voltar
Para a gestão da loja, o impacto desse tipo de postura aparece no ambiente e na relação com o público. Márcio Guilherme Scheffler observa que a presença de Iaura ajuda a criar um clima colaborativo. “Ela tem uma identidade dentro da loja”, resume.
O atendimento próximo fortalece o vínculo com os clientes e contribui para a recorrência. No balcão, o método não muda: ouvir, lembrar nomes e manter atenção ao outro. A repetição desses gestos ao longo dos anos explica por que a atendente se tornou referência silenciosa no cotidiano da unidade.
“Pessoas como ela, que têm experiência não apenas na parte profissional, mas também pessoal, o que elas podem nos passar é muito bom. Eu acredito que engrandece a todos!”, ressalta Márcio.
Trabalhar após a aposentadoria, enquanto houver fôlego
Ao falar sobre o futuro, Iaura não estabelece prazo para parar. Para ela, seguir no trabalho significa pagar as próprias contas, manter autonomia e permanecer conectada às pessoas.
“Se a gente para, acaba ficando para trás. O mundo continua e a gente precisa acompanhar. Enquanto a gente tem fôlego, a gente continua”, afirma Iaura
BP










