NOSSA MATÉRIA : Às vezes o problema não é você, mas quem está ao seu redor

Por Luciene Gallo.

Ao longo da história da humanidade, uma verdade se repete de forma quase inevitável: grandes líderes nem sempre caem por causa de seus inimigos declarados, mas sim por aqueles que caminham ao seu lado.

A confiança, que deveria ser um pilar das relações humanas, muitas vezes se transforma em uma porta aberta para a decepção. E não são poucos os exemplos que mostram que o maior risco não está fora, mas dentro.


 A história que se repete

Um dos casos mais emblemáticos é o de Júlio César, que não foi derrotado em batalha, mas assassinado por pessoas de seu próprio círculo, incluindo Brutus, alguém em quem confiava profundamente.

Séculos depois, outro episódio marcante reforçou essa realidade. Jesus Cristo foi entregue por Judas Iscariotes, um de seus seguidores mais próximos, demonstrando que a traição muitas vezes nasce onde menos se espera.

Na política moderna, situações semelhantes ocorreram com líderes como Napoleão Bonaparte, que viu aliados abandonarem sua causa no momento em que sua força começou a enfraquecer. Não foi apenas o inimigo externo que o derrubou, mas o distanciamento e o interesse daqueles que estavam ao seu redor.


 Quando o perigo está ao lado

Esses episódios revelam um padrão que atravessa os séculos:
quanto maior a responsabilidade e o poder, maior também a exposição a interesses ocultos.

Em muitos casos, a convivência próxima não significa lealdade. Pelo contrário — o acesso direto, a confiança e a intimidade podem ser usados como ferramentas silenciosas de desgaste.

Relatos atuais, vindos de bastidores políticos, mostram que essa realidade não ficou no passado. Em diferentes regiões, o que também está muito visível em Jandaia do Sul onde residem muitas pessoas ligadas ao Governo do Estado mas que estão longe de ser  “os fiéis escudeiros”  mas é bem mais abrangente quer isso  inclusive no cenário estadual, não é raro ouvir histórias de pessoas próximas a lideranças públicas que, nos bastidores, fazem críticas, expõem situações internas ou até mesmo trabalham contra aqueles que, publicamente, deveriam apoiar.

E esse tipo de comportamento levanta uma reflexão importante:
até que ponto a proximidade representa parceria — e quando ela se torna risco?


 A inveja como combustível silencioso

Um dos fatores mais presentes nesses cenários é a inveja.

Diferente da oposição declarada, a inveja é silenciosa. Ela não se manifesta de forma aberta, mas age nos detalhes:

  • na crítica velada
  • na distorção de informações
  • na desvalorização constante
  • e, muitas vezes, na sabotagem disfarçada

Pessoas que convivem de perto com lideranças podem desenvolver esse sentimento ao observar posições, reconhecimento e influência que não possuem.

E quando isso não é controlado, transforma-se em um comportamento destrutivo — não apenas para quem está no comando, mas para toda a estrutura ao redor.


 Lobos disfarçados

Existe um ditado antigo que diz que devemos ter cuidado com “lobos em pele de cordeiro”.
Mas, nos tempos atuais, talvez a imagem seja ainda mais complexa.

Hoje, os lobos muitas vezes não se escondem apenas na aparência de inocência, mas também na convivência, na amizade e na proximidade.

São pessoas que:

  • estão presentes no dia a dia
  • têm acesso a informações estratégicas
  • participam de decisões
  • mas não compartilham dos mesmos valores

E é justamente isso que torna esse tipo de situação tão perigosa.


 O alerta para 2026

Com a aproximação das eleições de 2026, esse cenário se torna ainda mais sensível.

Períodos eleitorais ampliam disputas, interesses e movimentações internas. É quando alianças são testadas, posições são redefinidas e, muitas vezes, as verdadeiras intenções aparecem.

Mais do que nunca, será necessário:

✔️ discernimento
✔️ cautela
✔️ e atenção redobrada

Não apenas em relação aos adversários políticos, mas principalmente em relação àqueles que estão por perto.


 Uma reflexão necessária

Talvez o maior aprendizado que a história nos deixa seja simples, mas profundo:

 Nem todo problema vem de fora.
 Nem toda ameaça é visível.
 E nem toda proximidade representa confiança.

Grandes quedas, ao longo dos séculos, não começaram com ataques externos, mas com pequenas fissuras internas.

Por isso, em tempos de decisões importantes, de mudanças e de disputas, é essencial olhar ao redor com mais atenção.

Porque, muitas vezes, o problema não está em quem enfrenta você —
mas em quem caminha ao seu lado.

Edição: Alexs Young