Por Portal de Notícias Paraná de Norte a Sul
Luciene Gallo
Uma grande operação do Ministério Público do Paraná (MPPR) mobilizou equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria).
Na manhã desta terça-feira (7). A segunda fase da Operação Chão de Giz cumpriu 41 mandados de busca e apreensão em cinco municípios paranaenses para investigar um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações e favorecimento de empresas fornecedoras de massa asfáltica em contratos públicos.
O Vale do Ivaí aparece como um dos principais focos da operação. Dos 41 mandados expedidos pela Justiça, 25 foram cumpridos em municípios da região, evidenciando a amplitude das investigações.
O município de Rio Branco do Ivaí concentra o maior número de alvos da operação, com 11 mandados de busca e apreensão, entre eles um direcionado ao atual prefeito. Em Grandes Rios, também no Vale do Ivaí, foram cumpridos oito mandados, incluindo dois ex-prefeitos. Já em Mauá da Serra, foram seis mandados, sendo um contra um ex-prefeito.
Além do Vale do Ivaí, a operação também alcançou Ortigueira, onde foram cumpridos dez mandados, incluindo um contra o presidente da Câmara Municipal, e Laranjal, com seis mandados, entre eles um envolvendo um secretário municipal.
Segundo o Ministério Público, as investigações apontam que agentes públicos teriam direcionado processos licitatórios para favorecer um grupo empresarial responsável pelo fornecimento de massa asfáltica. Em contrapartida, empresários investigados teriam pago propinas equivalentes a um percentual dos contratos públicos, que em alguns casos teria alcançado 10% do valor contratado.
As ordens judiciais foram expedidas em cinco procedimentos distintos. Três delas partiram do Tribunal de Justiça do Paraná, em razão da existência de investigados com foro por prerrogativa de função, enquanto as demais foram autorizadas pelas comarcas de Ortigueira e Palmital.
Operação teve início em 2022
A primeira fase da Operação Chão de Giz foi deflagrada em 2022 e investigou supostos crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e peculato nos municípios de Cândido de Abreu e Cidade Gaúcha.
Em 2024, os investigados foram acionados por improbidade administrativa. Já em 2025, o Ministério Público apresentou denúncias criminais pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de capitais.
Nesta nova etapa, o objetivo é identificar outras ramificações da organização criminosa, que, segundo o MPPR, teria atuado em dezenas de municípios paranaenses por meio de empresas especializadas na execução de obras e fornecimento de massa asfáltica.
Não houve prisões
O Ministério Público esclareceu que, nesta fase da operação, não houve prisões. As diligências consistiram exclusivamente no cumprimento de mandados de busca e apreensão, com recolhimento de celulares, computadores, documentos e outros materiais que poderão subsidiar o andamento das investigações.
Como toda investigação em curso, os fatos ainda serão analisados pela Justiça, sendo assegurados aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Edição: Alexs Young Rosa










