A nova concessão do transporte coletivo de Curitiba vai aprimorar os mecanismos de segurança, controle e transparência dos contratos, com novas exigências de integridade, auditoria independente, rastreamento da estrutura societária das empresas e fiscalização permanente da aplicação dos recursos. Os avanços previstos no novo modelo foram apresentados nesta quinta-feira (24/9), durante roadshow organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investidores interessados na licitação.
O prefeito Eduardo Pimentel participou do encontro online, que reuniu mais de cem participantes, entre representantes de empresas de operação de transporte público e de eletromobilidade. Também participaram o presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), Ogeny Pedro Maia Neto; a presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Ana Zornig Jayme; a superintendente do BNDES, Luciene Machado; e as equipes responsáveis pela estruturação técnica, elaboração do edital e definição do modelo de concessão.
“Nosso transporte coletivo sempre foi referência para o mundo, agora há necessidade de novas tecnologias, integrações, mais investimentos. Aqui em Curitiba o investidor procura oportunidade e segurança, e a nossa cidade oferece ambas. O município está entrando como parceiro nessa ação”, afirmou o prefeito.
O aviso do edital foi publicado no Diário Oficial do Estado em 19 de agosto. As propostas deverão ser entregues em 17 de novembro, das 10h às 12h, na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (B3). O leilão está previsto para 26 de novembro, às 10h, também na B3.
Mais controle e transparência
A nova modelagem amplia os instrumentos de controle e integridade em relação aos contratos atuais. Entre as medidas previstas estão barreiras já na fase de licitação, identificação da cadeia societária das empresas até seus beneficiários finais, controle sobre alterações societárias durante a concessão, implantação de programas de compliance, auditoria independente e acompanhamento permanente da governança e das informações financeiras das concessionárias.
A gestão e o controle da bilhetagem também permanecerão sob responsabilidade do Poder Concedente. A arrecadação tarifária continuará direcionada ao Fundo de Urbanização de Curitiba (FUC), sem ingerência das concessionárias sobre essa fonte de recursos.
O novo contrato prevê ainda controle documental sobre a aplicação dos recursos públicos destinados aos investimentos. As concessionárias deverão apresentar demonstrações financeiras submetidas a auditoria independente e garantir ao Poder Concedente acesso às informações necessárias para fiscalização.
Os mecanismos têm caráter preventivo e buscam reduzir vulnerabilidades, ampliar a rastreabilidade dos recursos e fortalecer o acompanhamento dos contratos durante os 15 anos de concessão.
Qualidade do serviço terá impacto na remuneração
Outra mudança está na forma de avaliar o desempenho das empresas. A opinião dos passageiros passará a integrar os indicadores que influenciam a remuneração das concessionárias.
“Temos três pilares de indicadores de qualidade: a frota, a operação e, como novidade, o índice de satisfação dos passageiros. O Sistema de Gestão da Qualidade previsto na nova concessão permite aos passageiros se manifestarem sobre a qualidade do serviço, com reflexo na remuneração das concessionárias”, explicou Ogeny Maia Neto.
Cinco lotes e R$ 3,9 bilhões em investimentos
O projeto cria o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM), que substituirá os atuais contratos de concessão e dará continuidade à Rede Integrada de Transporte (RIT). O edital prevê cinco lotes de concessão, com investimentos estimados em R$ 3,9 bilhões e contratos com duração de 15 anos.
Dois lotes serão destinados às linhas estruturais do sistema, que incluem expressos, Linha Direta e Ligeirões. O BRT1 terá 24 linhas, com atendimento predominante na região Sul, enquanto o BRT2 atenderá principalmente as regiões Norte e Oeste, com 17 linhas.
As vencedoras desses dois lotes também serão responsáveis por serviços de infraestrutura, como limpeza, conservação e manutenção das estações-tubo e plataformas elevadas dos terminais, além da implantação, operação e manutenção de dois eletropostos públicos, no Capão Raso e no Capão da Imbuia, destinados à recarga dos ônibus elétricos durante o dia.
Os outros três lotes terão caráter regional, reunindo linhas alimentadoras e convencionais e ampliando o atendimento nos bairros.
Integração temporal e ônibus elétricos
Entre as principais mudanças para os passageiros está a integração temporal irrestrita. Com o cartão-transporte da Urbs, será possível trocar de ônibus em diferentes pontos de embarque dentro de um período preestabelecido, sem a necessidade de passar por um terminal ou estação-tubo e sem pagar uma nova tarifa.
Outro eixo da concessão será a eletrificação da frota. A previsão é incorporar 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031, sendo 90 já no início da nova operação.
Com a concentração dos veículos elétricos nas linhas de maior demanda, aproximadamente um terço dos lugares ofertados pelo sistema deverá ser atendido por ônibus elétricos até 2031.
Dos R$ 3,9 bilhões previstos em investimentos, 96,75% serão destinados à frota e 3,25% à infraestrutura de recarga elétrica e a novas estações-tubo.
O projeto prevê ainda subvenção municipal estimada em R$ 893,6 milhões, principalmente para aquisição de ônibus elétricos e construção dos eletropostos.
O custo global da prestação dos serviços é estimado em R$ 1,25 bilhão por ano, chegando a R$ 18,75 bilhões durante os 15 anos de contrato. O valor inclui custos operacionais, investimentos e remuneração das concessionárias.
Reuniões com investidores
Após o roadshow, o BNDES realizará reuniões individuais com empresas interessadas, com duração de até 50 minutos.
As solicitações de agenda poderão ser feitas até 23 de outubro de 2026 pelo e-mail eletromobilidade_curitiba@bndes.gov.br, com indicação do dia e horário de preferência, além dos nomes, empresas e dados dos participantes.










