O Hospital do Câncer de Maringá não retomou as cirurgias eletivas do SUS conforme havia sido determinado na quarta-feira, 28, pela Secretaria Municipal de Saúde.
Diante disso, o secretário de Saúde, Antônio Carlos Nardi, informou no final da tarde desta sexta-feira, 30, que o hospital está impedido de receber novos pacientes, que estão sendo encaminhados a outras unidades conveniadas. Secretário de Saúde de Maringá, Antônio Carlos Nardi: “Tomamos as providências necessárias” – Foto/GMC Nardi explicou que o Hospital do Câncer, que é uma instituição particular, está sem equipe de anestesistas, o que impede a realização de cirurgias. Mas observou que “os tratamentos de radioterapia e de quimioterapia continuam sendo feitos normalmente”.
O secretário contou que já na semana passada “a Ouvidoria da Prefeitura passou a receber, duas, três reclamações por dia, informando que as cirurgias estavam sendo desmarcadas sem serem remarcadas. Nós, então, determinados uma auditoria no hospital, confirmamos o problema e tomamos as providências necessárias”. Explicou que para casos oncológicos existem prazos determinados pelo SUS para as providências devidas, que vão de 30 a 60 dias. Contou que quando a auditoria foi concluída ele estava em Curitiba:
“Fui informado e entrei em contato com a direção do Hospital do Câncer e, para ajudar o hospital, me dispus a entrar em contato com empresas que terceirizam serviços de anestesia, mas não deu certo”. Retrospectiva dos fatos Nesta quarta-feira, 28, a Secretaria de Saúde notificou o hospital para “retomar o atendimento imediatamente” e que, caso isso não ocorresse, poderia remanejar os pacientes para outros hospitais. “Como o Hospital do Câncer continuava sem anestesistas, passamos a encaminhar os pacientes para outros prestadores de serviços, como o Hospital Santa Rita”, disse.
Hospital de Tratamento do Câncer de Maringá I Instagram Nesta quinta-feira, 29, o Hospital do Câncer, por meio de nota, informou que 90% dos seus atendimentos são de pacientes do SUS e que “o financiamento recebido pelo SUS não cobre integralmente o custo real de toda essa operação”.
A unidade hospitalar encontra-se em recuperação judicial. Segue a íntegra da nota do Hospital do Câncer, emitida na tarde desta quinta-feira, 29. “O Hospital do Câncer reconhece que houve atraso em algumas cirurgias e entende plenamente a preocupação dos pacientes e de seus familiares. É importante explicar que o atendimento oncológico pelo SUS envolve uma estrutura muito maior do que apenas o procedimento cirúrgico. Existe o custo do centro cirúrgico, enfermagem, medicamentos, materiais, equipamentos, esterilização, internação, exames, manutenção hospitalar e de toda a equipe multiprofissional necessária para que uma cirurgia seja realizada com segurança. Historicamente, o financiamento recebido pelo SUS não cobre integralmente o custo real de toda essa operação.
O hospital já absorve uma diferença significativa para conseguir manter o atendimento à população. Neste momento, surgiu uma dificuldade adicional: os valores apresentados para a contratação do serviço de anestesiologia chegam a aproximadamente três vezes o valor correspondente ao financiamento recebido para essa finalidade.
Portanto, não estamos discutindo simplesmente quanto deve receber um anestesista. Estamos falando da sustentabilidade de toda uma operação hospitalar. Se acrescentarmos um custo dessa magnitude a uma cirurgia que já possui financiamento inferior ao seu custo real, chega um momento em que a conta se torna inviável. Mesmo diante dessa situação, o hospital não está parado. Estamos buscando ativamente novos profissionais e novos grupos de anestesiologia, inclusive de outras localidades, para restabelecer o mais rapidamente possível nossa capacidade cirúrgica.
Temos encontrado, entretanto, dificuldades para viabilizar a entrada de novas equipes no mercado local. Estamos documentando essa situação e, caso seja necessário, os fatos serão encaminhados aos órgãos competentes para que avaliem se existe alguma prática que esteja dificultando a livre contratação de profissionais. Quero deixar muito claro: o hospital não tem qualquer interesse em atrasar cirurgias. Temos centro cirúrgico, estrutura hospitalar, equipes e, principalmente, pacientes oncológicos que precisam ser operados. Nossa obrigação é encontrar uma solução que permita realizar essas cirurgias com segurança, remunerar adequadamente os profissionais e, ao mesmo tempo, preservar a sustentabilidade do hospital.
Não podemos resolver um problema imediato criando outro que, no médio prazo, comprometa a própria capacidade do Hospital do Câncer de continuar atendendo pelo SUS. Estamos trabalhando para normalizar as cirurgias o mais rapidamente possível, priorizando os casos de maior urgência oncológica e mantendo absoluta transparência com os pacientes, com as autoridades e com toda a comunidade”. Segue a íntegra da nota enviada pela Prefeitura de Maringá nesta sexta-feira, 30. “A Secretaria de Saúde informa que notificou, nesta quarta-feira, 28, o Hospital do Câncer de Maringá para a retomada imediata das cirurgias eletivas pelo SUS.
A medida foi adotada após a Secretaria tomar conhecimento da suspensão dos procedimentos e realizar auditoria na unidade, ocasião em que a direção do hospital relatou dificuldades na composição do quadro de anestesistas. Caso os atendimentos não sejam retomados, a Secretaria poderá remanejar os pacientes para outro prestador de serviço, a fim de garantir a continuidade da assistência. A Secretaria esclarece, ainda, que os valores da tabela SUS são estabelecidos pelo Ministério da Saúde e que os prestadores de serviços devem cumprir integralmente as condições previstas nos contratos firmados”.









