A capital tem 97% de ocupação nos leitos de UTI e 98% nos de enfermaria.
Por Felipe Ribeiro


Com a operação no limite e risco de falta de insumos, os hospitais da rede pública e privada de Curitiba afirmam que o lockdown é a única medida possível no momento para tentar conter o avanço do coronavírus. Em entrevista coletiva concedida na manhã deste sábado (13), superintendente de Gestão da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Flávia Quadros, explicou que a capital tem 97% de ocupação nos leitos de UTI e 98% nos de enfermaria, o que reforça a necessidade de medidas mais duras.
“É uma medida extrema, mas que se faz necessária. A velocidade em que reorganizamos a rede não está na mesma velocidade que o vírus está se propagando, então somente uma parada na cidade vai segurar a transmissão. Se a gente não parar hoje, não vamos conseguir dar continuidade aos atendimentos”, afirmou a diretora.
Questionados, os hospitais públicos e privados informaram que não conseguem dar uma previsão de quando a lotação ultrapassaria 100%, mas sabem que isso pode ocorrer a qualquer momento.
O presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais, Flaviano Ventorim, chega a citar a chamada “Escolha de Sofia”, o que pode deixar pacientes sem atendimento. “Nós não queremos chegar no dilema de ter que escolher quem vai para o tubo ou não. Lamentavelmente vamos ter que tomar decisões difíceis nos próximos dias, porque se a curva continuar crescendo como hoje, podemos ter situações como as vistas na Itália, França e Manaus”, explica.
Segundo o boletim da Secretaria de Estado da Saúde, Curitiba e região metropolitana tinham 15 leitos de UTI vagos para atendimento de pacientes com Covid-19. Já o boletim municipal aponta 17 leitos livres, com as aberturas feitas ao longo da semana.
Falta de Insumos
Durante a coletiva, Ventorim ainda demonstrou preocupação com possíveis faltas de insumos e medicamentos. “Aliado a estruturas que começam a ficar insuficientes, temos uma preocupação com anestésicos e relaxantes neuromusculares, algo que não tínhamos há uma semana atrás. Apesar de termos fabricantes nacionais, a demanda mundial aumentou e os insumos chegam de fora do país, então temos uma fabricação que não é simples, uma vez que é necessário também uma quarentena para estabilização. O que vivemos no momento não é apenas uma questão de apenas abrir leito, mas algo muito mais complexo”, lamenta.
Velocidade de Transmissão
A superintendente Executiva da SMS, Beatriz Battistella Nadas, também comentou a velocidade alta de transmissão e lembrou do grande número de jovens que são afetados agora pelo vírus. “A população mais jovem tinha mais sintomas leves até o ano passado, mas hoje temos um aumento considerável de pessoas de 30 a 59 anos internadas, com acometimento grave. Essa situação nos mostra que o vírus está se manifestando diferente do que quando começou e precisamos dessas medidas.
FONTE: Banda B










