Amani Anuar Said enfrentou o drama de quase perder o caçula no parto, enquanto Fabiola Zappielo ficou sete anos na fila de adoção
Neste Dia das Mães, Amani celebra não apenas sua própria jornada como mãe, mas também a incrível luta pela vida de seu filho Yasser. “Yasser teve uma recuperação maravilhosa, hoje ele é o mais esperto dos quatro, coloca o povo aqui de casa no chinelo”, brinca, agradecida.
Sete anos na fila de adoção
A professora e intérprete de Libras, Fabiola Zappielo, passou sete anos na fila de espera para conseguir adotar o pequeno João Gabriel. Para ela, a adoção sempre foi um sonho. “Desde sempre quis adotar, mesmo com filhos biológicos”, afirma.
Maria Eduarda, de 21 anos, foi a primeira e única filha de Fabiola por algum tempo. Acontece que a professora desejava ser mãe novamente, porém, mesmo após três anos de tentativas, não conseguia. Foi nesse período que ela decidiu entrar para a fila de adoção. Porém, pouco tempo depois, nasceu Maria Vitória, agora com 12 anos.
Mesmo tendo realizado o desejo do segundo filho, Fabiola decidiu manter seu nome na lista de espera para adoção. “Ele (João) foi muito esperado por mim e pela minha família inteira. Pela minha mãe, irmãs, tias e primos. Ele sempre foi esperado e muito amado durante essa espera”, relembrou.
Apesar da alegria contagiante, os desafios não haviam terminado. João Gabriel era apenas um bebê quando se tornou parte da família Zappielo Camara. Foi a partir daí que Fabiola precisou entrar em um tratamento com medicamentos para receber e poder amamentar o filho.
“João veio neném e eu tomei uma medicação para o estômago que fez o leite descer. O médico receitou esse medicamento, porque o efeito colateral era a estimulação da prolactina”, contou. A prolactina é um hormônio que tem como principal função estimular a produção de leite pelas glândulas mamárias. “Ele disse que nunca tinha visto acontecer, mas que era para eu tentar. E realmente desceu o leite e deu tudo certo”, explicou a intérprete.
Seis anos depois, João Gabriel tem uma família que o ama sem limites e não mede esforços para que ele entenda quem é e de onde veio. “O João conhece toda a história dele. Ele sabe de tudo”, disse Fabiola ao contar que não esconde nada do filho, para que ele não tenha mágoa do passado. “Ele leva o passado no coração com muito amor e quer conhecer a mãe biológica um dia. E isso para mim é perfeito, porque eu também amo ela. Porque ela me deu ele, me deu o amor da minha vida”, declarou.
Mas nem tudo foram flores na adoção. Fabiola enfrentou muita crítica de diversas pessoas que garantiam que ela se arrependeria da decisão. “Falavam e ainda falam que não é certo adotar, porque a criança carrega os ‘genes’ dos genitores e então eu precisava ter ‘cuidado’”. Para ela, a visão nada mais é do que falta de sensibilidade e respeito. “Porque é uma criança, não importa a idade da adoção. Podemos, sim, moldá-las de acordo com nossos valores e preceitos. Se pensarmos assim, como mudaremos o mundo? Com tantas crianças sem família, e tantos pais querendo um filho para adotar?”, refletiu.
Fabiola acredita que é preciso começar a pensar na adoção de uma forma diferente, com mais amor e carinho. Só assim será possível entender que não há diferença entre os filhos. “Existem muitas pessoas, a maioria, que são pais biológicos e a minoria são adotivos. Mas no fundo são todos pais. Os biológicos conhecem o amor por um filho que nasceu da sua barriga e os pais adotivos conhecem o amor que nasceu do seu coração. Eu costumo dizer que conheço esses dois amores e posso dizer que é a mesma coisa. Não tem o que tirar nem pôr. O amor é o mesmo, da criança que nasceu do meu coração e da criança que nasceu da minha barriga”.
Por Lis Kato e Ana Quimelo










