Polícia Militar responde por maior parte do efetivo. Guardas, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros aparecem na sequência
segurança. É o que revela estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgado nesta terça-feira, o qual mostra que as forças policiais contam com 31 mil agentes em todo o Paraná. E as guardas municipais, além de serem a segunda maior força de segurança no estado, atrás apenas das polícias Militares, estão ampliando sua presença nos municípios e dentro do efetivo.
Conforme a pesquisa, a 2ª edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, o Paraná possui hoje 4.498 guardas municipais (também chamados de guardas civis municipais) em pelo menos 43 municípios do estado. O número é 7,7% superior aos 4.175 agentes registrados em 2023, último levantamento.
Com isso, as guardas municipais já respondem atualmente por 14,4% do efetivo total de segurança pública do estado. Assim, consolidam-se como a segunda maior força de segurança, a frente de instituições estaduais consolidadas, como a Polícia Civil.
Em todo o Paraná, há 31.369 agentes compondo as forças de segurança. A Polícia Militar, com 16.068, lidera. Na sequência já vêm as guardas municipais, a Polícia Civil (com 3.791 agentes), o Corpo de Bombeiros (3.193), as polícias penais (2.556) e a Polícia Científica (1.000), no Paraná chamada de Polícia Científica.
Entre 2023 e 2025, a Polícia Militar e a Polícia Penal perderam agentes – os efetivos eram de 17.036 e 2.649 antes. Por outro lado, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Civil e, principalmente, a Polícia Científica cresceram, além das guardas municipais. Em 2023, essas corporações reuniam, respectivamente, 3.163, 3.716 e 742 agentes.
Sistema de segurança vive “um momento de recomposição assimétrica”
De acordo com o FBSP, o levantamento indica que o sistema de segurança pública brasileiro vive um momento de recomposição assimétrica. Isso porque as forças policiais crescem de forma acelerada na instância menos regulamentada, as Guardas Municipais. Por outro lado, estagnam ou retrocedem em corporações estratégicas para a investigação criminal, as Polícias Civis e a Polícia Federal. Há retração, ainda, nas Polícias Penais estaduais e na Polícia Rodoviária Federal
“Esse desequilíbrio compromete o funcionamento das políticas de segurança e tende a aprofundar a histórica fragmentação institucional do setor. Ao mesmo tempo, diante dos desafios e limites fiscais, não parece provável que as forças de segurança pública estaduais sejam capazes de ampliar seus contingentes no curto e médio prazo, especialmente considerando o peso dos inativos nas folhas de pagamento”, aponta ainda o estudo.
Uma solução, então, seria as corporações estaduais revisarem o expressivo número de policiais lotados funções administrativas, em cessões a outros órgãos do Executivo, em atividades de assessoramento político e em cargos de natureza burocrática que pouco se relacionam com a atividade-fim do policiamento ostensivo, da investigação criminal e da Perícia Oficial. “A alocação de civis em tarefas-meio libera contingentes significativos de agentes treinados para a atividade-fim”, defende o FBSP.
Brasil não sabe ao certo quantas guardas municipais existem no país
No Paraná, pelo menos desde 2023 as guardas municipais já reúnem um contingente mais expressivo do que a Polícia Civil. No Brasil, entretanto, essa virada ocorreu mais recentemente. Segundoa pesquisa, o país tem hoje 107,4 mil guardas municipais em 1.384 municípios, número 12,9% maior que os 95,1 mil registrados em 2023. Já a Polícia Civil, que antes contava com 95,9 mil agentes e era a segunda maior força de segurança do país, tornou-se agora a terceira, com 96,9 mil.
O fenômeno de expansão das guardas, no entanto, ocorre ao mesmo tempo em que não se sabe ao certo quantas existem ao todo por aí. É que cada prefeitura cria a sua e não há uma base de dados que reúna todas elas, tanto que o número divulgado pelo levantamento é uma estimativa calculada a partir de três fontes distintas. Uma delas é o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), outra o Ministério do Trabalho e há ainda a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública).
Essa “municipalização da segurança”, por sua vez, vem na esteira de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Com ela, consolidou-se o entendimento de que órgãos municipais de segurança pública têm tanta competência quanto a PM para realizar policiamento ostensivo. Só não podem investigar, atribuição da Polícia Civil, nem ser chamadas de Polícia Municipal.
BP









