Meningite infantil no Paraná: morte de criança acende alerta sobre prevenção e protocolos de atendimento

Por Luciene Gallo.

Casos de meningite meningocócica cresceram 250% no Paraná em 2025. Especialistas reforçam a importância da vacinação, do diagnóstico precoce e da clareza nos protocolos de atendimento nas unidades de saúde.

A morte de uma criança de 1 ano e 4 meses por meningite meningocócica em Paranaguá, no litoral do Paraná, acendeu um sinal de alerta em todo o estado. A menina havia sido atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) horas antes do falecimento, o que reacendeu o debate sobre a agilidade nos protocolos médicos e a gravidade da doença, que pode evoluir em poucas horas.

Segundo informações da Secretaria de Saúde, a criança apresentou febre alta e foi levada à UPA de Praia Grande, em Matinhos, onde recebeu atendimento inicial e foi liberada. Durante a madrugada, o quadro piorou, e a família retornou à unidade. Após reavaliação, a paciente foi encaminhada ao Hospital Regional de Paranaguá, mas não resistiu.

A direção da UPA informou que todos os procedimentos seguiram o protocolo clínico e que, na segunda passagem pela unidade, a paciente foi encaminhada diretamente à sala de emergência, recebeu hidratação, antibióticos e medicação adequada. Mesmo assim, a evolução rápida da meningite meningocócica não permitiu resposta favorável ao tratamento.


⚠️ Casos em alta e evolução agressiva

De acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), as mortes por meningite meningocócica aumentaram 250% no Paraná em 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Foram registradas 14 mortes neste ano, contra 4 em 2024. Somando todos os tipos de meningite, o estado contabilizou 963 casos e 93 mortes, um aumento de 8% em relação ao ano anterior.

Os especialistas explicam que, mesmo em crianças vacinadas, a infecção pode ocorrer por subtipos diferentes da bactéria Neisseria meningitidis, conhecidos como sorogrupos. O tipo B, por exemplo, ainda não tem cobertura total na rede pública, embora esteja sendo incorporado gradualmente ao calendário nacional.


👶 A importância da imunização e da vigilância

A meningite meningocócica é causada pela bactéria Neisseria meningitidis e representa uma das formas mais graves da doença. Ela pode se espalhar pelo sangue e atingir o sistema nervoso central em poucas horas.
A transmissão ocorre por gotículas de saliva e secreções das vias respiratórias, especialmente em ambientes fechados ou com aglomeração.

O Paraná mantém índices de vacinação acima da média nacional. Em 2024, a cobertura da primeira dose contra doenças meningocócicas em crianças menores de um ano atingiu 91,89%, superando o índice nacional de 81,6%.
Ainda assim, as autoridades de saúde alertam que a imunização precisa ser reforçada e atualizada conforme o calendário vacinal, especialmente nos grupos infantis e adolescentes.


💉 Vacinas disponíveis

As vacinas são o principal instrumento de prevenção e estão disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde:

  • Meningocócica C conjugada (MenC): indicada para bebês e reforços na infância.

  • Meningocócica ACWY: amplia a proteção contra os sorogrupos A, C, W e Y, sendo aplicada em adolescentes e grupos de risco.

  • Meningocócica B: disponível na rede privada e em processo de incorporação gradual ao SUS.

  • Pneumocócica conjugada (10 ou 13-valente): previne meningites causadas pelo Streptococcus pneumoniae.

  • Haemophilus influenzae tipo b (Hib): protege contra meningites bacterianas causadas por essa bactéria.

  • BCG: apesar de voltada à tuberculose, ajuda na prevenção de formas graves da doença que atingem as meninges.


🩺 Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da meningite deve ser feito com rapidez. Febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos, sonolência e irritabilidade são sinais de alerta.
Em alguns casos, especialmente na meningite meningocócica, manchas vermelhas pelo corpo podem surgir e indicam um quadro de alta gravidade.

O tratamento depende da causa:

  • Meningite viral: costuma evoluir bem com repouso e hidratação.

  • Meningite bacteriana: requer internamento imediato e antibióticos intravenosos.

  • Meningite fúngica: necessita de medicamentos antifúngicos específicos.


📋 Gestão pública e contratos na área da saúde

Casos como o ocorrido no litoral do estado reforçam a importância de protocolos bem definidos e contratos públicos transparentes na área da saúde.
Especialistas em gestão lembram que documentos firmados entre prefeituras e profissionais ou empresas prestadoras de serviço devem detalhar claramente as funções, locais de atuação e responsabilidades de cada profissional de saúde, assegurando que os atendimentos sejam eficazes e que as respostas diante de emergências sigam padrões técnicos de excelência.

A clareza contratual e a capacitação contínua das equipes são fatores essenciais para que situações críticas, como a da meningite, sejam reconhecidas e tratadas com a agilidade necessária.


🔎 Alerta à população

Autoridades reforçam que a meningite meningocócica pode evoluir em poucas horas e que qualquer sinal de febre alta associada a rigidez no pescoço, sonolência ou manchas na pele exige atendimento médico imediato.
Pais e responsáveis devem manter o cartão de vacinação atualizado e buscar orientação nas unidades de saúde sobre as doses disponíveis.


Por Redação – Portal Paraná de Norte a Sul
(Com informações da Secretaria Estadual da Saúde, unidades hospitalares e especialistas da área médica.)


Em caso de suspeita de meningite, procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima. A rapidez no atendimento pode salvar vidas.

Edição: Alexs Young Rosa