25 de Novembro: Dia Internacional pelo Fim da Violência contra as Mulheres – A violência digital também mata

Por Luciene Gallo.

Instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o dia 25 de novembro marca o Dia Internacional pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A data homenageia as irmãs Patria, Minerva e María Teresa Mirabal, brutalmente assassinadas em 1960 pela ditadura da República Dominicana.

O caso, que chocou o mundo, transformou as Mirabal em símbolo de resistência e luta contra a violência de gênero e contra regimes autoritários em toda a América Latina.

Mais de seis décadas depois, a violência contra meninas e mulheres permanece como uma das violações de direitos humanos mais persistentes. E, com o avanço da tecnologia, ganhou novas formas, mais silenciosas, mais rápidas e, muitas vezes, mais devastadoras.

Violência digital: uma agressão que começa na tela e atravessa a vida real

Ofensas, ameaças, humilhações, exposição indevida, perseguição virtual e manipulação de imagens fazem parte de um fenômeno crescente: a violência digital contra mulheres. Apesar de acontecer por meio do celular ou computador, seus efeitos não ficam restritos ao ambiente virtual.

Segundo especialistas, esse tipo de agressão pode escalar rapidamente para violência física, psicológica e até feminicídio.
A violência digital é real, causa danos reais e precisa ser tratada com a mesma seriedade das demais formas de agressão”, explica a Dra. Rolse de Paula, Advogada e Defensora dos Direitos Humanos Infantil e Feminino, que contribuiu com esta matéria.

Para ela, a internet tem sido utilizada como “arma” por agressores que buscam constranger, intimidar ou destruir a reputação de mulheres, muitas vezes se escondendo atrás do anonimato.

“O ataque começa por uma mensagem, um comentário ofensivo, um boato. Mas a dor emocional e psicológica é profunda. E, quando a mulher é exposta publicamente, isso pode desencadear perseguições, invasões de privacidade e agressões fora do mundo virtual”, afirma a defensora.

Um ciclo que atinge meninas, adolescentes e mulheres adultas

Pesquisas nacionais indicam que:

  • Mais de 1 em cada 4 mulheres brasileiras já sofreu violência digital.

  • Jovens de 15 a 29 anos são as principais vítimas.

  • Em muitos casos, a violência digital antecede agressões físicas ou ameaças presenciais.

A Dra. Rolse alerta que, embora exista legislação no Brasil — como a Lei Maria da Penha, a Lei Carolina Dieckmann e o Marco Civil da Internet — muitas mulheres ainda têm medo de denunciar.

Não existe contexto que justifique atacar, silenciar ou expor meninas e mulheres. A violência precisa ser interrompida na origem, antes que avance para níveis irreparáveis”, reforça.

Da memória das Mirabal à luta atual

O 25 de novembro existe para lembrar que a violência contra mulheres não é um problema privado, mas uma questão social e estrutural. A data convoca governos, sociedade e instituições a assumirem responsabilidade.

As irmãs Mirabal enfrentaram um regime ditatorial e pagaram com suas vidas. Hoje, mulheres enfrentam novas formas de autoritarismo — emocional, psicológico e digital.

Honrar o legado das Mirabal significa:

  • denunciar,

  • acolher,

  • proteger,

  • educar,

  • e construir uma cultura de respeito.

A mensagem é clara: violência é violência — e precisa parar agora

A violência digital é uma das faces mais recentes e cruéis da desigualdade de gênero. Ela ultrapassa a tela, invade o cotidiano e destrói vidas.

Neste 25 de novembro, a mensagem ecoa:

Toda mulher tem direito à segurança, dignidade e liberdade — na rua, em casa e na internet.

E essa luta pertence a todos nós.

Edição: Alexs Young Rosa